quarta-feira, 12 de junho de 2013

"Os Macacos voaram na água".

O mundo é um grande tabuleiro de um jogo no qual envelhecer é o grande premio. Talvez por essa razão nascemos curiosos, passamos por um estagio de pupa e quando chega a hora, a metamorfose acontece! Queiramos ou não, este é o ciclo da vida. Viver toda a ingenuidade e inocência no verão e sorrir de tudo isso depois no inverno.

Quando atingimos nossa metamorfose, não criamos asas muito menos barreiras. Mas saímos do casulo da infância para voar mundo afora. E aquele friozinho na barriga torna-se um aliado. É um sinal de que já nos encontramos fora do ninho, onde éramos acostumados com a proteção dos nossos pais.

 Embora crescemos com a expectativa do primeiro voo. Mal sabemos que gostoso mesmo é a ansiedade que antecede o grande salto. Aquele medinho bobo de não saber bater asas corretamente e se esborrachar no chão.  Mas na verdade, o medinho em si não é de se esborrachar no chão, mas sim de saber que depois do primeiro planar, não haverá retorno para o ninho. Não tem mais volta!


Hoje é um marco importante em sua vida. O marco da quebra do casulo e o alongamento das asas. O marco do frio na barriga matinal e o cheiro de chuva em fins de tarde. Hoje é o tão esperado dia do bater das asas. Do grande salto! Então lhe desejo toda a felicidade e sorte do mundo em seu primeiro planar. Que você possa desfrutar de cada bater de asa, cada mergulho em seu aberto, cada brisa e cada sorriso. Que viva intensamente cada momento desse verão e que lá na frente, quando os dias forem se afunilando e as historias se tornando mais antigas, que possamos nos reencontrar e compartilharmos das mesmas crônicas de inverno. 

 Feliz aniversario!

(Créditos do titulo: Jessica e Lorena)

domingo, 2 de junho de 2013

O andarilho do além


“Se o lado esquerdo do cérebro é a parte responsável pelas nossas historias, que nos conta de onde viemos e para onde vamos. Então, Qual é a sua historia?”

Não era anjo, estava mais para um primata peludo. Daqueles desajeitados que se erguia varia vezes para avistar o horizonte. Que forçava os olhos para enxergar um pouco mais adiante. Que rangia os dentes solitariamente. Um macaco de emoções humanas, mãos frias e olhares sonhadores.

Que caminhava sozinho feito nômade em um cemitério de animas.  Era companhia para as almas perdidas em busca de suas rotas. Era a válvula de escape das tentações perdidas de espíritos desnorteados. Era muitas coisas e nada ao mesmo tempo. Ou melhor, apenas um andarilho.

Um andarilho sem viola no saco. Descrente de destino, inapto a superstições e um mal aliado da sorte. E se um dia ele deixar de recolher e guardar pedaços de almas perdidas, é porque ele se retirou do papel de andarilho do além para escrever seu capitulo final.

Se há ou não algum lugar onde eu possa chamar de meu, eu ainda não sei. Eu só sei que nada sei. Por que apesar de saber de onde vim, o lado esquerdo do meu cérebro não me contou para onde vou. Apenas sigo em Frente!